Compartilhar
Informação da revista
Vol. 38. Núm. 5.
Páginas 337-345 (Maio 2019)
Compartilhar
Compartilhar
Baixar PDF
Mais opções do artigo
Visitas
456
Vol. 38. Núm. 5.
Páginas 337-345 (Maio 2019)
Artigo Original
DOI: 10.1016/j.repc.2018.08.009
Open Access
Treinamento resistido melhora controle autonômico cardiovascular e perfil bioquímico de ratos expostos a dieta ocidental no período perinatal
Resistance training improves cardiovascular autonomic control and biochemical profile of rats exposed to Western diet in the perinatal period
Visitas
456
Michael Nadson Santos Santana, Vitor Ulisses De Melo, Fabricio Nunes Macedo, André Sales Barreto, Robervan Vidal‐Santos, Mario Matiotti Neto, Marcio Roberto Viana dos Santos, Valter Joviniano Santana‐Filho
Autor para correspondência
vjsf@infonet.com.br

Autor para correspondência.
Departamento de Fisiologia, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, Brasil
Conteúdo relacionado
Rev Port Cardiol. 2019;38:347-810.1016/j.repc.2019.06.004
Frederico C. Pereira
Informação do artigo
Resume
Texto Completo
Bibliografia
Baixar PDF
Estatísticas
Figuras (2)
Tabelas (3)
Tabela 1. Peso, 1RM absoluto e razão 1RM/massa corporal dos animais após o protocolo de TR
Tabela 2. Variáveis hemodinâmicas
Tabela 3. Variáveis bioquímicas
Mostrar maisMostrar menos
Resumo
Introdução e objetivos

O consumo da dieta ocidental está associado ao surgimento de doenças cardiovasculares. O treinamento de resistência (TR) tem sido utilizado no tratamento destas doenças. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do TR sobre as alterações cardiometabólicas na prole de ratas expostas a dieta ocidental no período perinatal.

Métodos

Ratas Wistar receberam dieta controle ou ocidental durante a gravidez e lactação. Os filhotes foram divididos em três grupos: Controle (C), dieta ocidental sedentário (OCS) e dieta ocidental+TR (OCTR). Aos 60 dias de vida, os animais iniciaram o protocolo de TR realizado cinco vezes por semana durante quatro semanas. Ao fim, foi registrada pressão arterial para análise da variabilidade da frequência cardíaca e sensibilidade do barorreflexo (SBR). Amostras de sangue foram coletadas para análise bioquímica.

Resultados

O TR foi capaz de reduzir a pressão arterial, a modulação simpática vascular e aumentar a SBR. Houve melhoria no perfil bioquímico, com redução na glicemia de jejum, colesterol total e lipoproteínas de baixa densidade, além de aumento das lipoproteínas de alta densidade.

Conclusão

O TR promoveu adaptações benéficas ao sistema cardiovascular, mediadas por ajustes nos mecanismos de controle autonômico e perfil bioquímico dos animais expostos à dieta ocidental no período perinatal.

Palavras‐chave:
Treinamento de resistência
Sistema nervoso autônomo
Dieta ocidental
Abstract
Introduction and objectives

Consumption of a Western diet during the perinatal period is associated with development of cardiovascular disease. Resistance training (RT) has been used to treat cardiovascular disorders. The aim of this work was to assess the effect of RT on cardiometabolic disorders in rats exposed to a Western diet in the perinatal period.

Methods

Female Wistar rats were fed with control or Western diet during pregnancy and lactation. The pups were divided into three groups: Control (C), Western Diet Sedentary (WDS) and Western Diet + RT (WDRT). At 60 days of age, all animals started the RT protocol (five times a week for four weeks). At the end, blood pressure was recorded for analysis of heart rate variability and baroreflex sensitivity (BRS). Blood samples were collected for biochemical analysis.

Results

RT reduced blood pressure and vascular sympathetic modulation and increased BRS. There were improvements in biochemical profile, with reductions in fasting blood glucose, total cholesterol and low‐density lipoprotein, and an increase in high‐density lipoprotein.

Conclusion

RT led to beneficial adaptations in the cardiovascular system, mediated by changes in the mechanisms of autonomic control and biochemical profile of animals exposed to a Western diet in the perinatal period.

Keywords:
Resistance training
Autonomic nervous system
Western diet
Abreviaturas
TR

Treinamento de resistência

C

Controle

OCS

Dieta ocidental sedentário

SBR

Sensibilidade do barorreflexo

PA

Pressão arterial

OCTR

Dieta ocidental treinado

POF

Pesquisa de orçamento familiar

1RM

Teste de repetição máxima

i.p

Intraperitoneal

kg

Quilograma; mgMiligrama

PAM

Pressão arterial média

PAS

Pressão arterial sistólica

PAD

Pressão arterial diastólica

IP

Intervalo de pulso

FC

Frequência cardíaca

ms

Millissegundos

Hz

Hertz

TRF

Transformada rápida de Fourrier

LF

Componente de baixa frequência

HF

Componente de alta frequência

VLF

Componente de muito baixa frequência

LFsys

Modulação simpática vascular

CT

Colesterol total

TAG

Triacilglicerol

HDL

Lipoproteína de alta densidade

LDL

Lipoproteína de baixa densidade

ACSM

American College of Sports Medicine

NTS

Núcleo do trato solitário

VLDL

Lipoproteína de muito baixa densidade

PVN

Núcleo paraventricular do hipotálamo

GLUT4

Transportador de glicose

E

statística EPMErro padrão (standard) da média

p

Probabilidade

RT

Treinamento de resistência

C

Controle

WS

Dieta ocidental sedentário

BRS

Sensibilidade do barorreflexo

AP

Pressão arterial

WRT

Dieta ocidental treinado

FB

Pesquisa de orçamento familiar

1MR

Teste de repetição máxima

i.p

Intraperitoneal; kgQuilograma

Mg

Miligrama

MAP

Pressão arterial média

SAP

Pressão arterial sistólica

DAP

Pressão arterial diastólica

PI

Intervalo de pulso

HR

Frequência cardíaca

Ms

Millissegundos

Hz

Hertz

FFT

Transformada rápida de Fourrier

LF

Componente de baixa frequência

HF

Componente de alta frequência

VLF

Componente de muito baixa frequência

LFsys

Modulação simpática vascular

TC

Colesterol total

TAG

Triacilglicerol

HDL

Lipoproteína de alta densidade

LDL

Lipoproteína de baixa densidade

ACSM

American College of Sports Medicine

NTS

Núcleo do trato solitário

VLDL

Lipoproteína de muito baixa densidade

PVN

Núcleo paraventricular do hipotálamo

GLUT4

Transportador de glicose

E

statística EPMErro padrão (standard) da média

p

Probabilidade

Texto Completo
Introdução

Atualmente, têm sido observadas modificações nos padrões alimentares da população, com elevado consumo de alimentos processados, de baixo custo, hipercalóricos, ricos em sódio, gordura saturada e pobres em outros nutrientes essenciais. Este padrão denomina‐se Dieta Ocidental1,2. Ao mesmo tempo, avanços tecnológicos e a dinâmica da vida moderna reduziram a necessidade do movimento humano resultando em elevação do sedentarismo. Esses aspetos contribuem para o aumento do sobrepeso e obesidade3.

Estudos demonstram que o consumo excessivo de nutrientes no início da vida (fase intrauterina e/ou pré e pós‐natal) promove alterações morfofuncionais no feto e leva ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares na idade adulta, em animais4 e humanos5, fenômeno este chamado de programação fetal ou metabólica6,7.

Este processo pode modificar características fenotípicas capazes de gerar desregulação no equilíbrio energético e ganho de massa corporal, predispondo o indivíduo à obesidade e comorbidades associadas8,9. Em estudo prévio, animais submetidos à dieta ocidental no período perinatal apresentaram perfil bioquímico alterado, disautonomia cardiovascular e consequente hipertensão na fase adulta9.

O treinamento de resistência (TR) tem sido utilizado como componente para melhoria da aptidão física e muscular, aumento da massa magra e manutenção da taxa metabólica basal. Além disso, já foi demonstrado que o TR promove adaptações benéficas na função cardiovascular10,11.

Dessa forma, hipotetizamos que o TR promova benefícios cardiovasculares por adaptações nos mecanismos de controle da pressão arterial (PA) e melhore o perfil bioquímico dos ratos expostos à dieta ocidental no período perinatal. Diante disso, o objetivo do estudo foi observar os efeitos do TR sobre as variáveis cardiovasculares e bioquímicas destes animais.

MétodosAnimais e introdução da dieta ocidental

O presente trabalho atendeu às normas para a realização de pesquisa em animais e os procedimentos foram de acordo com os princípios éticos da experimentação animal, preconizados pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) com base na Diretriz Brasileira para o cuidado e utilização de animais para fins científicos e didáticos – DBCA (2013), sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Animal da UFS (CEPA/UFS) protocolo 10/2014. Ratos Wistar de ambos os sexos foram mantidos em gaiolas de polipropileno com água e ração ad libitium e a temperatura foi de 22 ± 1°C. Foram utilizadas 15 ratas Wistar virgens, entre 90 e 120 dias de vida, pesando entre 250‐300g, acasaladas com ratos férteis na proporção de quatro fêmeas para um macho. A técnica de esfregaço vaginal foi realizada diariamente para a verificação da prenhez pela presença de espermatozoides. Posteriormente, as ratas foram divididas em dois grupos conforme a dieta recebida, Controle (n = 5) e Ocidental (n = 5), mantidas até o desmame. Após 24 horas do nascimento das ninhadas, realizou‐se o ajuste para oito neonatos, sendo respeitada, quando possível, a mesma proporção de machos e fêmeas. Nos protocolos experimentais, foram utilizados somente machos para evitar a influência de flutuações hormonais do ciclo estral nos resultados.

Após o desmame, os filhotes foram divididos em três grupos: i) Controle (C, n = 7), filhotes de mães alimentadas com a dieta controle e que não realizaram o TR; ii) Dieta Ocidental Sedentário (OCS, n = 7), filhotes de mães alimentadas com a dieta ocidental e que não realizaram TR; e iii) Dieta Ocidental Treinado (OCTR, n = 7), filhotes de mães alimentadas com a dieta ocidental e que realizaram TR.

Após o desmame, o alimento ofertado aos animais foi ração comercial Labina® para roedores. Segundo o fabricante (Purina do Brasil Ltda), a dieta contém o mínimo de 23% de proteína bruta, extrato etéreo mínimo de 4%, o máximo de 10% de mineral, 5% de matéria fibrosa e possui 3,6Kcal/g.

Dietas

A dieta utilizada como controle durante o período de gestação e lactação foi a AIN‐93G, à base de caseína, específica para roedores em fase de crescimento12. A formulação da dieta experimental ocidental teve como base a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), sendo realizados alguns ajustes na sua composição centesimal. Dentre estes ajustes, encontra‐se o aumento do teor de lipídeos e carboidratos simples, de forma a incrementar fatores organolépticos, culminando com odor e textura agradável, assemelhando‐a à dieta ocidental, e a adequação do teor proteico, visto que os percentuais de proteína da dieta POF são inadequados para a fase de reprodução e crescimento em ratos e, finalmente, um ajuste para a fase de manutenção dos ratos (15,5% de proteína).

A dieta ocidental continha 31% de lipídios, sendo a principal fonte as gorduras de origem saturada (67,59%) e 51,7% de carboidratos, sendo apresentado principalmente na forma de açúcares simples, o que mimetiza o consumo alimentar da população ocidental e a dieta controle 25,99% lipídios saturados e 55% de carboidratos em cada 100g.

As dietas Controle (AIN‐93G) e Ocidental foram produzidas pelo Laboratório de Nutrição Experimental e Dietética (LNED) do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e foram armazenadas a 4°C até o momento de utilização.

Protocolo de treinamento de resistência

O TR foi executado utilizando o aparelho de agachamento.13 Os animais foram adaptados por cinco dias anteriores ao treinamento, sendo manipulados e colocados no aparelho na posição inicial do exercício, sem adição de carga.

Após a adaptação, todos os animais foram submetidos ao teste de repetição máxima (1RM) para a determinação das cargas de trabalho. O teste de 1RM consiste na execução do movimento com o máximo de carga que o animal conseguir realizar o movimento de extensão total das patas traseiras. Assim, é possível calcular a intensidade desejada através da carga levantada no teste. Após 48 horas, iniciou‐se o protocolo de TR que consistiu em três séries de dez repetições com intensidade de 40% de 1RM (considerada baixa intensidade)14, com intervalo de um minuto entre as séries para recuperação. Cada sessão de TR durou aproximadamente cinco minutos. O TR foi realizado cinco vezes por semana, durante um período de quatro semanas, totalizando vinte sessões de TR. A cada 15 dias, foi feito novo teste de 1RM para reajuste das cargas.

Os animais foram estimulados através de eletrodos colocados na cauda (Bioset, Physiotonus four, Modelo 3050, Rio Claro, São Paulo) para a realização do exercício. Os parâmetros utilizados foram: frequência de 1Hz, largura de pulso de 1ms, tempo on de 1 a 3 segundos, tempo off de 2 segundos e intensidade suficiente para que os animais executassem o exercício, variando de 4 a 15mA. Os animais dos grupos C e OCS foram inseridos no aparelho de agachamento e eletroestimulados com parâmetros iguais ao grupo OCTR, porém o equipamento esteve mantido na posição de repouso e sem adição de carga.

Delineamento experimentalAvaliação da função cardiovascular

Os animais foram anestesiados com tiopental sódico (i.p) (50mg/kg) e foi realizada cirurgia para implante de cateter de polietileno (PE‐10/PE‐50, Intramedic, Becton Dickinson and Company, Sparks, MD, EUA) na artéria femoral esquerda. O cateter foi exteriorizado por via subcutânea na região cervical posterior. Após a cirurgia, os animais receberam uma dose (1,1mg/kg, i.p) de flunixina‐meglumina (Banamine®, Schering Plough, Kenilworth, NJ, EUA) para redução da hiperalgesia e do processo inflamatório pós‐cirúrgico, garantindo assim o bem‐estar dos animais.

Vinte e quatro horas após o procedimento e livre dos efeitos da anestesia, o cateter foi conectado ao transdutor de pressão e acoplado a um pré‐amplificador (FE221, Bridge Amp, ADInstruments, Bella Vista, NSW, Austrália) utilizando o sistema de registro (Powerlab, ADInstruments, Bella Vista, NSW, Austrália). A PA pulsátil foi registrada por 30 minutos e processada em software computacional (LabChart 7, ADInstruments, Bella Vista, NSW, Austrália), pontos de inflexão foram identificados e geradas séries temporais batimento a batimento. Todos os registros foram feitos de manhã, garantindo que aspectos comportamentais influenciassem igualmente todos os animais. Valores de pressão arterial média (PAM), sistólica (PAS), diastólica (PAD), intervalo de pulso (IP) e frequência cardíaca (FC) foram obtidos e posteriormente analisados.

Avaliação autonômica

A análise da variabilidade do IP e da PAS foi realizada utilizando o software computacional (v2.4 CardioSeries‐http://sites.google.com/site/cardioseries), como descrito previamente.15 Séries batimento a batimento foram obtidas a partir da pressão arterial pulsátil (PAP) e convertidos em pontos com 100ms por interpolação spline cúbica (10Hz). Os dados foram divididos em sequências e em períodos de 512 pontos (51,2s) e semissobrepostas. Para o cálculo da potência espectral, os dados foram visualmente inspecionados e os segmentos não estacionários foram desconsiderados.

O espectro foi calculado diretamente pelo algoritmo transformada rápida de Fourier (FFT) e a janela de Hanning foi utilizada para atenuar distorções. O espectro é composto por bandas de baixa frequência low frequency (LF; 0,2‐0,75Hz) e alta frequência high frequency (HF; 0,75‐3Hz). Esses resultados foram expressos em unidades normalizadas por divisão das potências LF e HF pela potência total menos a potência de muito baixa frequência (VLF; <0,2Hz). LF do IP representa a modulação simpática cardíaca, HF do IP é um índice de modulação vagal, enquanto a razão LF/HF demonstra o balanço autonômico cardíaco. O LF da PAS (LFsys) indica modulação simpática vascular.

A sensibilidade espontânea do barorreflexo (SBR) foi quantificada pelo método da sequência. No programa computacional (v2.4 CardioSeries), foram processadas séries temporais, batimento a batimento, da PAS e do IP, buscando detectar sequências de pelo menos quatro batimentos consecutivos em que aumentos na PAS foram seguidos por um alongamento do IP e diminuições na PAS foram seguidas por um encurtamento do IP. Foram consideradas como sequências do barorreflexo dados com correlação linear superior a 0,85. A média do coeficiente angular das linhas de regressão linear entre a PAS e o IP foi utilizada como índice da SBR.15

Avaliação bioquímica

Os animais foram mantidos em jejum de 12 horas e logo após foram anestesiados com halotano. Através de um capilar de vidro heparinizado, foi coletado sangue pelo plexo retro‐orbital. A amostra coletada foi acondicionada em tubo de separação e centrifugada a 3500 rotações por minuto, por 5 minutos, para obtenção do plasma. O sobrenadante foi retirado com auxílio de uma pipeta e transferido para um tubo Eppendorf®, o qual foi enviado para as análises bioquímicas dos seguintes substratos: glicose, colesterol total (CT), triacilglicerol (TAG) lipoproteína de alta densidade (HDL) e de baixa densidade (LDL).

Para dosar as concentrações plasmáticas, utilizaram‐se testes enzimáticos colorimétricos da marca Bioclin (Belo Horizonte – MG, Brasil), as leituras dos substratos foram realizadas em espectrofotômetro (modelo 800 XI, Femto, São Paulo, SP, Brasil), de acordo com as normas estipuladas pelo fabricante. Para dosar LDL e lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) foi utilizada a fórmula de Friedewald.16

Análise estatística

Os valores foram expressos em média ± erro padrão da média (EPM). Os resultados de avaliação hemodinâmica, modulação autonômica e perfil bioquímico foram analisados por Anova one‐way, seguido por pós‐teste de Bonferroni, para avaliação das diferenças entre as médias dos grupos. Os valores foram considerados estatisticamente significativos quando p < 0,05. Para análise foi utilizado o software GraphPad (v.5.0, San Diego, CA, EUA).

ResultadosEvolução do peso e teste de 1RM

Após quatro semanas de TR, não foi observada diferença significativa na massa corporal da prole (Tabela 1). Embora os grupos alimentados com a dieta ocidental apresentassem maior massa corporal anteriormente ao treinamento, também não houve diferença significativa no ganho de força dos animais do grupo OCTR quando comparados aos animais dos grupos C e OCS.

Tabela 1.

Peso, 1RM absoluto e razão 1RM/massa corporal dos animais após o protocolo de TR

  Período  C (n = 7)  OCS (n = 7)  OCTR (n = 7) 
Massa corporal (g)Inicial  266,3±2,4  280,3±6,8  277,3±4,0 
Final  300±3,5  308,4±5,4  309,1±3,7 
1RM (g)Inicial  1340±58,1  1420±81,3  1480±55,3 
Final  1560±54,1  1710±83,5  1770±57,8 
1RM/massa corporal (g)Inicial  4,98±0,2  5,0±0,4  5,3±0,2 
Final  5,11±0,18  5,59±0,36  5,81±0,25 

Dados de evolução ponderal obtidos ao término do protocolo de TR.

1RM: uma repetição máxima; 1RM/massa corporal: uma repetição máxima/massa corporal; C: grupo controle; OCS: grupo dieta ocidental sedentário; OCTR: grupo dieta ocidental treinado.

Foi utilizado o teste Anova de uma via, seguido por pós‐teste de Bonferroni.

Avaliação hemodinâmica

As variáveis hemodinâmicas são apresentadas na Tabela 2. O grupo sedentário OCS apresentou PA de repouso elevada quando comparado ao C e ao OCTR. O grupo OCTR apresentou PAM, PAS e PAD reduzidas quando comparado ao grupo OCS. Não houve alteração na FC entre os grupos.

Tabela 2.

Variáveis hemodinâmicas

  C (n = 7)  OCS (n = 7)  OCTR (n = 7) 
FC  383,7±12,3  367,2±13,1  354,0±7,4 
PAD  82,8±2,7  99±3,0§  89,1±2,8 
PAM  103,2±3,8  121,1±2,6§  108,2±3,7 
PAS  134.2±5,8  151,5±3,4§  135,2±3,1* 

Variáveis hemodinâmicas coletadas vinte e quatro horas após a última sessão de exercício.

C: grupo controle; FC: frequência cardíaca; OCS: grupo dieta ocidental sedentário; OCTR: grupo dieta ocidental treinado; PAD: pressão arterial diastólica; PAM: pressão arterial média; PAS: pressão arterial sistólica ao fim do protocolo de TR- treinamento de resistência.

*

p < 0,05 OCTR vs OCS.

§

p < 0,05 OCS vs C.

Foi utilizado o teste Anova de uma via seguido por pós‐teste de Bonferroni.

Modulação autonômica cardiovascular

Os resultados referentes à modulação autonômica podem ser observados na Figura 1. O grupo OCS apresentou aumento do componente LF (Figura 1a) e redução de HF (Figura 1b). O TR foi capaz de atenuar essa alteração, apresentando uma redução do componente LF e aumento do HF respectivamente, observado na Figura 1C.

Figura 1.

Modulação autonômica cardiovascular e sensibilidade espontânea do barorreflexo após quatro semanas de TR. C: grupo controle; OCS: grupo dieta ocidental sedentário; OCTR: grupo dieta ocidental treinado; HF: high frequency; LF: low frequency; Lfsys: LF da pressão arterial; SBR: sensibilidade do barorreflexo.*p < 0,05: OCTR vs OCS; #p < 0,05: OCTR vs C; §p < 0,05: OCS vs C. Foi utilizado o teste Anova de uma via, seguido por pós‐teste de Bonferroni.

(0,16MB).

Além disso, o OCS apresentou valores de LFsys elevados, enquanto o grupo treinado (OCTR) apresentou redução nesta variável (Figura 1d). Apesar de não haver alteração na sensibilidade espontânea do barorreflexo (SBR) como efeito da dieta ocidental, nossos resultados mostram um aumento na SBR nos animais do grupo OCTR (Figura 1e) quando comparados aos sedentários (Figura 2).

Figura 2.

Delineamento experimental. Processo de acasalamento, inserção das dietas experimentais, protocolo de TR e registro das variáveis cardiovasculares.

(0,18MB).
Variáveis bioquímicas

As variáveis bioquímicas avaliadas foram: glicemia de jejum, colesterol total (CT), HDL, LDL, VLDL e triglicérides e podem ser observadas na Tabela 3. Os resultados mostram que os animais do grupo OCS apresentaram aumento da glicemia em jejum, do CT e da LDL quando comparados ao grupo C. Em contrapartida, os animais do grupo OCTR apresentaram redução nos valores de glicemia em jejum, CT e LDL, bem como aumento no HDL.

Tabela 3.

Variáveis bioquímicas

  C (n = 7)  OCS (n = 7)  OCTR (n = 7) 
CT  70,8±1,1  85,6±3,4§  67,0±3,8* 
Glicose  126,2±3,5  153,8±6,3§  116,2±4,6* 
HDL  48,5±0,7  41,8±2,8  57,2±3,5*,# 
LDL  13,1±0,6  31,0±3,2§  14,2±2,2 
TAG  47,4±2,7  54,0±2,2  53,2±4,8# 
VLDL  9,1±0,4  11,0±0,5  10,4±0,8* 

Amostras de sangue coletadas 24 após a última sessão de exercício.

C: grupo controle; OCS: grupo dieta ocidental sedentário; OCTR: grupo dieta ocidental treinado; CT: colesterol total; HDL: lipoproteína de alta densidade; LDL: lipoproteína de baixa densidade; TAG: triacilglicerol; VLDL: lipoproteína de muito baixa densidade.

*

p < 0,05 OCTR vs OCS.

#

p< 0,05 OCTR vs C.

§

p < 0,05 OCS vs C na glicose.

Foi utilizado o teste ANOVA de uma via seguido por pós‐teste de Bonferroni.

Discussão

Os resultados do presente estudo mostraram que a dieta ocidental ofertada aos ratos durante o período perinatal provocou importantes repercussões fisiológicas, com aumento nos níveis séricos de glicose, CT, LDL e redução do HDL. Ademais, a dieta ocidental promoveu disautonomia, com predomínio da modulação simpática cardiovascular e hipertensão na fase adulta. Tais achados corroboram resultados prévios do nosso laboratório utilizando o mesmo protocolo experimental e mesma dieta9.

O TR de baixa intensidade (40% de 1 RM) não promoveu diferença na massa corporal e no ganho de força, embora indivíduos engajados em programas de musculação apresentem modificações na composição corporal17,18. Segundo o American College of Sports Medicine14, em programas de TR com o objetivo de aumentar a força devem‐se utilizar cargas que correspondam a 60‐70% de 1RM (iniciantes e intermediários) e cargas de 80‐100% de 1RM (indivíduos experientes). Enquanto programas com o objetivo de hipertrofia muscular devem utilizar cargas que variem entre 70‐85% de 1RM (iniciantes e intermediários) e cargas entre 70‐100% para indivíduos avançados. Baraúna et al. observaram aumento na força muscular de ratos treinados em aparato similar ao utilizado neste estudo, porém utilizando cargas de trabalho de 75% de 1RM, corroborando a preconização do ACSM14. Nossos resultados mostram que a intensidade e a duração do TR utilizada não foram capazes de promover modificações na massa corporal e na força destes animais.

Para o nosso conhecimento, este foi o primeiro trabalho a mostrar que o TR de baixa intensidade foi capaz de reduzir a modulação simpática, aumentar a sensibilidade do barorreflexo e melhorar o perfil lipídico e glicêmico dos animais expostos a uma dieta ocidental no período perinatal, prevenindo a hipertensão observada nos animais que consumiram a dieta e se mantiveram sedentários.

Os animais expostos à dieta ocidental e ao TR apresentaram redução na PA e melhoria na maioria das variáveis bioquímicas. Observamos que o TR foi capaz de melhorar a sensibilidade barorreflexa, prevenindo o aumento do componente LF, além de aumentar o HF do IP. Os mecanismos responsáveis por este efeito podem estar associados a ajustes nos mecanismos centrais de controle da PA.

O treinamento físico tem sido associado a diversos ajustes cardiovasculares, como redução da resistência vascular19,20, remodelamento cardíaco, redução da pressão arterial, redução da FC21 e aumento na expressão de fatores relaxantes endoteliais22.

Já foi mostrado que o treinamento físico aeróbico induz alterações neurais em núcleos autonômicos, aumentando a sinalização noradrenérgica ascendente do núcleo do trato solitário (NTS) a neurônios pré‐autonômicos do núcleo paraventricular do hipotálamo (PVN), promovendo aumento na excitabilidade intrínseca destes neurônios na via PVNNTS, aumentando o tônus vagal através da liberação de acetilcolina pelo nervo vago23,24. O mesmo modelo de treinamento causou elevação na expressão de RNAm do receptor para ocitocina no bulbo e maior expressão de neurotransmissor no PVN23,25,26. Este fato está correlacionado com a melhoria do controle barorreflexo24,27. É possível que estes ajustes auxiliem na redução do tônus simpático em hipertensos23.

Observamos que o TR também promoveu adaptações benéficas ao sistema cardiovascular, como redução da PA, aumento da sensibilidade barorreflexa e melhoria do equilíbrio simpato‐vagal, corroborando achados do nosso grupo10. Entretanto, os mecanismos envolvidos nessas respostas permanecem por serem esclarecidos.

Os animais sedentários que consumiram a dieta ocidental no início da vida apresentaram aumento da modulação simpática vascular, resultado previamente observado em outro estudo realizado no nosso laboratório9, enquanto o grupo submetido ao TR obteve redução nesta variável. O consumo de dietas com alto teor calórico e lipídico é diretamente relacionado ao aumento de tecido adiposo e obesidade, que, por si, promove hiperatividade simpática, vasoconstricção periférica e hipertensão arterial28. Evidências sugerem que reduções na ação simpática nos vasos promovem queda na PA, mediada por ajustes na tensão dos vasos29.

Estudos prévios do nosso laboratório utilizando o mesmo modelo de exercício mostraram que o TR promove aumento da vasodilatação induzida por acetilcolina e insulina, maior biodisponibilidade de óxido nítrico (NO), melhoria no balanço simpato‐vagal e maior capacidade de vasodilatação. Coletivamente, esses fatores contribuem para redução da PA10,30–32.

O insulto nutricional induzido aos animais no início da vida gerou perturbações metabólicas com aumento do CT, LDL e glicemia, como previamente observado9,33. Em modelos de obesidade, a resistência à insulina está associada à redução da expressão do transportador de glicose (GLUT 4) e prejuízo na via de sinalização da insulina34. O TR aumenta a expressão do GLUT 4, melhorando a resposta insulínica no músculo esquelético e tecido adiposo32,35,36. É provável que a redução da glicemia observada neste estudo seja resultado de melhoria no transporte da glicose através da translocação do GLUT 4.

Os ratos treinados expostos à dieta ocidental apresentaram redução do LDL, corroborando estudos em que o TR foi eficaz em reduzir essa variável em diferentes populações37,38. A elevação na concentração sérica de lipídios aumenta os depósitos de gordura arteriais e compromete a elasticidade vascular causado por deposição da LDL, podendo evoluir para um processo aterosclerótico.39

Não foi verificada alteração no HDL como resultado do consumo da dieta ocidental. No entanto, os animais treinados apresentaram aumento no HDL. Este fato contribui para a proteção do leito vascular. Tal efeito mostra que o TR exerce um papel antiaterogênico.

Conclusão

Em suma, nossos resultados mostraram que a dieta ofertada na fase perinatal promove disautonomia e distúrbios metabólicos, resultando em hipertensão na fase adulta. Em contrapartida, o protocolo de TR foi eficaz em promover redução dos valores pressóricos, através de ajustes favoráveis nos mecanismos de controle autonômico e melhoria na sensibilidade do barorreflexo. Adicionalmente, o TR reduziu a glicemia e o colesterol total e melhorou a proporção HDLLDL.

Entender os mecanismos pelo qual o TR melhora o controle autonômico e o perfil bioquímico de animais vislumbra novas perspectivas para prevenção e tratamento de distúrbios cardiometabólicos causados por uma alimentação inadequada. Estudos adicionais devem ser conduzidos a fim de elucidar os mecanismos moleculares e epigenéticos envolvidos na gênese de distúrbios metabólicos e compreender como o exercício físico pode influenciar nos mecanismos de controle central, além de ajustes endoteliais promovidos pela liberação de substâncias vasoativas.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Agradecimentos

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica de Sergipe (Fapitec).

Referências
[1]
B.M. Popkin, A.M. Siega-Riz, P.S. Haines, et al.
Where's the Fat? Trends in U.S. Diets 1965‐1996.
Prev Med, 32 (2001), pp. 245-254
[2]
M. Batista Filho, A. Rissin.
Nutritional transition in Brazil: geographic and temporal trends.
Cad Saúde Pública, 19 (2003), pp. S181-S191
[3]
M.C. Ochoa, M.J. Moreno-Aliaga, M.A. Martínez-González, et al.
TV watching modifies obesity risk linked to the 27Glu polymorphism of the ADRB2 gene in girls.
Int J Pediatr Obes, 1 (2006), pp. 83-88
[4]
A.L. Sawaya.
Malnutrition: longterm consequences and nutritional recovery effects.
Estud Av, 20 (2006), pp. 147-158
[5]
M.G.J. Gademan, M. Eijsden, van, T.J. Roseboom, et al.
Maternal Prepregnancy Body Mass Index and Their Children's Blood Pressure and Resting Cardiac Autonomic Balance at Age 5 to 6 Years.
Hypertension, 62 (2013), pp. 641-647
[6]
D.J.P. Barker.
The origins of the developmental origins theory.
J Intern Med, 261 (2007), pp. 412-417
[7]
P.D. Gluckman, M.A. Hanson.
Developmental and epigenetic pathways to obesity: an evolutionary‐developmental perspective.
Int J Obes, 32 (2008), pp. S62-S71
[8]
E.L. Sullivan, M.S. Smith, K.L. Grove.
Perinatal Exposure to High‐Fat Diet Programs Energy Balance Metabolism and Behavior in Adulthood.
Neuroendocrinology, 93 (2011), pp. 1-8
[9]
R. Vidal-Santos, F.N. Macedo, M.N.S. Santana, et al.
Western diet in the perinatal period promotes dysautonomia in the offspring of adult rats.
J Dev Orig Health Dis, 8 (2017), pp. 216-225
[10]
F.N. Macedo, T.R.R. Mesquita, V.U. Melo, et al.
Increased Nitric Oxide Bioavailability and Decreased Sympathetic Modulation Are Involved in Vascular Adjustments Induced by Low‐Intensity Resistance Training.
Front Physiol, (2016), pp. 7
[11]
M.M. Mota, T.L.T.B. da Silva, M.T. Fontes, et al.
Resistance Exercise Restores Endothelial Function and Reduces Blood Pressure in Type 1 Diabetic Rats.
Arq Bras Cardiol, 103 (2014), pp. 25-32
[12]
P.G. Reeves, F.H. Nielsen, G.C. Fahey.
AIN‐93 purified diets for laboratory rodents: final report of the American Institute of Nutrition ad hoc writing committee on the reformulation of the AIN‐76A rodent diet.
J Nutr, 123 (1993), pp. 1939-1951
[13]
T. Tamaki, S. Uchiyama, S. Nakano.
A weight‐lifting exercise model for inducing hypertrophy in the hindlimb muscles of rats.
Med Sci Sports Exerc, 24 (1992), pp. 881-886
[14]
American College of Sports Medicine. American College of Sports Medicine position stand. Progression models in resistance training for healthy adults. Med Sci Sports Exerc 2009; 41: 687‐708.
[15]
V.U. De Melo, R.R.M. Saldanha, C.R. Dos Santos, et al.
Ovarian Hormone Deprivation Reduces Oxytocin Expression in Paraventricular Nucleus Preautonomic Neurons and Correlates with Baroreflex Impairment in Rats.
Front Physiol, (2016), pp. 7
[16]
W.T. Friedewald, R.I. Levy, D.S. Fredrickson.
Estimation of the concentration of low‐density lipoprotein cholesterol in plasma, without use of the preparative ultracentrifuge.
Clin Chem, 18 (1972), pp. 499-502
[17]
B. Prabhakaran, E.A. Dowling, J.D. Branch, et al.
Effect of 14 weeks of resistance training on lipid profile and body fat percentage in premenopausal women.
Br J Sports Med, 33 (1999), pp. 190-195
[18]
M.D. Polito, E.S. Cyrino, A.M. Gerage, et al.
Efeito de 12 semanas de treinamento com pesos sobre a força muscular, composição corporal e triglicérides em homens sedentários.
Rev Bras Med Esporte, 16 (2010), pp. 29-32
[19]
L. Nelson, G.L. Jennings, M.D. Esler, et al.
Effect of changing levels of physical activity on blood‐pressure and haemodynamics in essential hypertension.
Lancet Lond Engl, 2 (1986), pp. 473-476
[20]
Amaral SL, Zorn TMT, Michelini LC. Exercise training normalizes wall‐to‐lumen ratio of the gracilis muscle arterioles and reduces pressure in spontaneously hypertensive rats. J Hypertens; 18: 1563‐1572.
[21]
A.S. Véras-Silva, K.C. Mattos, N.S. Gava, et al.
Low‐intensity exercise training decreases cardiac output and hypertension in spontaneously hypertensive rats.
Am J Physiol ‐ Heart Circ Physiol, 273 (1997), pp. H2627-H2631
[22]
Y. Higashi, M. Yoshizumi.
Exercise and endothelial function: Role of endothelium‐derived nitric oxide and oxidative stress in healthy subjects and hypertensive patients.
Pharmacol Ther, 102 (2004), pp. 87-96
[23]
K.T. Higa-Taniguchi, F.C.P. Silva, H.M.V. Silva, et al.
Exercise training‐induced remodeling of paraventricular nucleus (nor)adrenergic innervation in normotensive and hypertensive rats.
Am J Physiol ‐ Regul Integr Comp Physiol, 292 (2007), pp. R1717-R1727
[24]
L.C. Michelini, N.T.S. The.
and integration of cardiovascular control during exercise in normotensive and hypertensive individuals.
Curr Hypertens Rep, 9 (2007), pp. 214-221
[25]
K. Jackson, H.M.V. Silva, W. Zhang, et al.
Exercise Training Differentially Affects Intrinsic Excitability of Autonomic and Neuroendocrine Neurons in the Hypothalamic Paraventricular Nucleus.
J Neurophysiol, 94 (2005), pp. 3211-3220
[26]
A.S. Martins, A. Crescenzi, J.E. Stern, et al.
Hypertension and Exercise Training Differentially Affect Oxytocin and Oxytocin Receptor Expression in the Brain.
Hypertension, 46 (2005), pp. 1004-1009
[27]
K.T. Higa, E. Mori, F.F. Viana, et al.
Baroreflex control of heart rate by oxytocin in the solitary‐vagal complex.
Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol, 282 (2002), pp. R537-R545
[28]
K. Rahmouni, M.L.G. Correia, W.G. Haynes, et al.
Obesity‐Associated Hypertension.
[29]
G. Parati, G. Bilo.
Arterial Baroreflex Modulation of Sympathetic Activity and Arterial Wall Properties.
[30]
M.R. Mota, R.J. Oliveira, de, M.T. Dutra, et al.
Acute and Chronic Effects of Resistive Exercise on Blood Pressure in Hypertensive Elderly Women.
J Strength Cond Res, 27 (2013), pp. 3475-3480
[32]
M.T. Fontes, T.L.B.T. Silva, M.M. Mota, et al.
Resistance exercise acutely enhances mesenteric artery insulin‐induced relaxation in healthy rats.
Life Sci, 94 (2014), pp. 24-29
[33]
T.C.F. Cavalcante, A.A.M. Silva, da, M.C.A. Lira, et al.
Early exposure of dams to a westernized diet has long‐term consequences on food intake and physiometabolic homeostasis of the rat offspring.
Int J Food Sci Nutr, 65 (2014), pp. 989-993
[34]
P.M. Seraphim, M.T. Nunes, U.F. Machado.
GLUT4 protein expression in obese and lean 12‐month‐old rats: insights from different types of data analysis.
Braz J Med Biol Res, 34 (2001), pp. 1353-1362
[35]
M.K. Holten, M. Zacho, M. Gaster, et al.
Strength Training Increases Insulin‐Mediated Glucose Uptake GLUT4 Content, and Insulin Signaling in Skeletal Muscle in Patients With Type 2 Diabetes.
Diabetes, 53 (2004), pp. 294-305
[36]
C. Castaneda, J.E. Layne, L. Munoz-Orians, et al.
A Randomized Controlled Trial of Resistance Exercise Training to Improve Glycemic Control in Older Adults With Type 2 Diabetes.
Diabetes Care, 25 (2002), pp. 2335-2341
[37]
J.A. Halbert, C.A. Silagy, P. Finucane, et al.
Exercise training and blood lipids in hyperlipidemic and normolipidemic adults: a meta‐analysis of randomized, controlled trials.
Eur J Clin Nutr, 53 (1999), pp. 514-522
[38]
B. Lindegaard, T. Hansen, T. Hvid, et al.
The effect of strength and endurance training on insulin sensitivity and fat distribution in human immunodeficiency virus‐infected patients with lipodystrophy.
J Clin Endocrinol Metab, 93 (2008), pp. 3860-3869
[39]
I.J. Kullo, C.M. Ballantyne.
Conditional Risk Factors for Atherosclerosis.
Mayo Clin Proc, 80 (2005), pp. 219-230
Copyright © 2019. Sociedade Portuguesa de Cardiologia
Idiomas
Revista Portuguesa de Cardiologia

Receba a nossa Newsletter

Opções de artigo
Ferramentas
en pt

Are you a health professional able to prescribe or dispense drugs?

Você é um profissional de saúde habilitado a prescrever ou dispensar medicamentos

en pt
Cookies policy Política de cookies
To improve our services and products, we use "cookies" (own or third parties authorized) to show advertising related to client preferences through the analyses of navigation customer behavior. Continuing navigation will be considered as acceptance of this use. You can change the settings or obtain more information by clicking here. Utilizamos cookies próprios e de terceiros para melhorar nossos serviços e mostrar publicidade relacionada às suas preferências, analisando seus hábitos de navegação. Se continuar a navegar, consideramos que aceita o seu uso. Você pode alterar a configuração ou obter mais informações aqui.