Compartilhar
Informação da revista
Vol. 36. Núm. 12.Dezembro 2017
Páginas 879-970
Compartilhar
Compartilhar
Baixar PDF
Mais opções do artigo
Visitas
1224
Vol. 36. Núm. 12.Dezembro 2017
Páginas 879-970
Comentário editorial
DOI: 10.1016/j.repc.2017.10.002
Open Access
O consumo da frutose e o seu impacto na saúde humana: a alimentação nos dias de hoje e o risco das doenças cardiovasculares
Fructose consumption and its impact on human health: Diet and risk of cardiovascular disease
Visitas
1224
Carla Marquesa,b
a Universidade de Coimbra, Centro de Neurociências e Biologia Celular, Instituto Biomédico de Investigação da Luz e da Imagem, Coimbra, Portugal
b Universidade de Coimbra, Faculdade de Medicina, Instituto Biomédico de Investigação da Luz e da Imagem, Coimbra, Portugal
Conteúdo relacionado
Rev Port Cardiol 2017;36:937-4110.1016/j.repc.2017.04.003
Viviane Wagner Ramos, Leandro Oliveira Batista, Kelse Tibau Albuquerque
Este item recebeu
1224
Visitas

Under a Creative Commons license
Informação do artigo
Texto Completo
Bibliografia
Baixar PDF
Estatísticas
Texto Completo

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 17,5 milhões de pessoas morrem todos os anos vítimas de doenças cardiovasculares (DCV), que constituem a primeira causa de morte no mundo. Um dos fatores de risco das DCV é a alimentação inadequada, que tem aumentado nos últimos anos1–5, e várias organizações, inclusive a OMS e a American Heart Association, têm recomendado uma diminuição no consumo de açúcares adicionados na dieta6, o que poderia diminuir em cerca de 20% a mortalidade por DCV até 20207,8. A relação direta que existe entre o consumo de produtos enriquecidos em açúcares e uma maior morbilidade e mortalidade cardiovascular impõe uma necessidade de definir e estabelecer estratégias preventivas que atuem no sentido de diminuir o consumo de açúcares, com especial atenção para as crianças, entre as quais esse problema poderá assumir proporções mais preocupantes.

Os açúcares incluem os monossacarídeos e dissacarídeos e dentro dos monossacarídeos mais comuns na dieta temos a frutose, a glicose e a galactose. A frutose é o açúcar que está naturalmente presente na fruta, mas também em sumos naturais ou néctares, e que é por vezes usado como adoçante, ou que pode estar adicionado a outros produtos alimentares, como refrigerantes e bolachas. O açúcar adicionado mais comum é o xarope de milho com alto conteúdo em frutose e a forma mais consumida desses açúcares são os sucos em lata. O metabolismo da frutose é diferente do dos outros açúcares e tem alguns subprodutos nocivos. Assim, a associação entre o consumo de frutose e o aparecimento de fatores de risco para desenvolvimento de doença DCV, como aumento da pressão arterial, obesidade, resistência à insulina, diabetes e síndrome metabólica, tem sido alvo de intensa investigação. Por outro lado, estudos em modelos animais mostram que uma dieta rica em frutose resulta num aumento de susceptibilidade do miocárdio à isquemia‐reperfusão9.

Vários estudos consideram que a ingestão elevada de frutose, por consequência do uso generalizado da frutose em muitos alimentos e bebidas, pode induzir a alterações do metabolismo, como o aumento de triglicerídeos, a resistência insulínica e a esteatose hepática, porém esses resultados não são conclusivos6. Nesse contexto, é imperativo investigar melhor os mecanismos e efeitos do consumo exagerado de frutose na saúde. Ramos et al.1 pretenderam avaliar qual o efeito do consumo crónico da frutose nos parâmetros bioquímicos e corporais de ratos. Os resultados obtidos mostraram que o consumo de frutose está associado à adiposidade abdominal e ao aumento dos triglicerídeos no soro dos animais. Por outro lado, o aumento do consumo de frutose associado a uma crescente incidência da obesidade na população mundial sugere que uma dieta rica em frutose pode ser um fator decisivo para o ganho de peso corporal. A obesidade e o excesso de gordura visceral são responsáveis diretos e indiretos por uma maior mortalidade cardiovascular, notadamente através de desequilíbrios no metabolismo lipídico e do aumento de peso, em grande parte devido a um aporte energético excessivo a que estão associados10. Por outro lado, a frutose não estimula a produção de insulina e leptina, responsáveis pela transmissão de informações para o sistema nervoso central. Assim, a frutose pode não induzir o nível de saciedade que é observado após uma refeição à base de glicose, pois a redução da produção de insulina e leptina pode contribuir para aumentar a ingestão de energia e o ganho de peso em animais e humanos. Por outro lado, o consumo de alimentos ricos em frutose aumenta a resistência à insulina, principal responsável pelos processos ateroembólicos que ocorrem em casos de obesidade7. Assim, torna‐se fundamental atuar precisamente nesse tipo de hábito prejudicial para a saúde. Nesse contexto, os resultados que Ramos et al. agora publicam1 parecem sugerir que o consumo de frutose leva a um aumento da gordura corporal na região abdominal e a alterações dos níveis de triglicerídeos, o que implica um aumento de risco de doenças cardiovasculares, mas não está diretamente associado ao aumento da massa corporal.

Conflitos de interesse

A autora declara não haver conflitos de interesse.

Bibliografia
[1]
V.W. Ramos, L.O. Batista, K.T. Albuquerque
Effects of frutose consumption on food intake and biochemical and body parameters in Wistar rats
Rev Port Cardiol., 36 (2017), pp. 937-941
[2]
L.R. Vartanian, M.B. Schwartz, K.D. Brownell
Effects of soft drink consumption on nutrition and health: a systematic review and meta‐analysis
Am J Public Health, 97 (2007), pp. 667-675 http://dx.doi.org/10.2105/AJPH.2005.083782
[3]
K.L. Stanhope
Sugar consumption, metabolic disease, and obesity: The state of the controversy
Crit Rev Clin Lab Sci, 53 (2016), pp. 52-67 http://dx.doi.org/10.3109/10408363.2015.1084990
[4]
G. Woodward-Lopez, J. Kao, L. Ritchie
To what extent have sweetened beverages contributed to the obesity epidemic?
Public Health Nutr, 14 (2011), pp. 499-509 http://dx.doi.org/10.1017/S1368980010002375
[5]
L.J. Appel, F.M. Sacks, V.J. Carey
Effects of protein, monounsaturated fat, and carbohydrate intake on blood pressure and serum lipids: results of the OmniHeart randomized trial
[6]
J.M. Rippe, J.L. Sievenpiper, K.A. Lê
What is the appropriate upper limit for added sugars consumption?
Nutr Rev, 75 (2017), pp. 18-36 http://dx.doi.org/10.1093/nutrit/nuw046
[7]
L. Mucci, F. Santilli, C. Cuccurullo
Cardiovascular risk and dietary sugar intake: is the link so sweet?
Intern Emerg Med, (2012), pp. 313-322
[8]
D. Aune
Soft drinks, aspartame, and the risk of cancer and cardiovascular disease
Am J Clin Nutr, 96 (2012), pp. 1249-1251 http://dx.doi.org/10.3945/ajcn.112.051417
[9]
P. Prakash, V. Khanna, V. Singh
Atorvastatin protects against ischemia‐reperfusion injury in fructose‐induced insulin resistant rats
Cardiovasc Drugs Ther, 25 (2011), pp. 285-297 http://dx.doi.org/10.1007/s10557-011-6312-x
[10]
W.C. Willett, D.S. Ludwig
Science souring on sugar
BMJ, 346 (2013), pp. e8077
Copyright © 2017. Sociedade Portuguesa de Cardiologia
Idiomas
Revista Portuguesa de Cardiologia

Receba a nossa Newsletter

Opções de artigo
Ferramentas
en pt
Cookies policy Política de cookies
To improve our services and products, we use "cookies" (own or third parties authorized) to show advertising related to client preferences through the analyses of navigation customer behavior. Continuing navigation will be considered as acceptance of this use. You can change the settings or obtain more information by clicking here. Utilizamos cookies próprios e de terceiros para melhorar nossos serviços e mostrar publicidade relacionada às suas preferências, analisando seus hábitos de navegação. Se continuar a navegar, consideramos que aceita o seu uso. Você pode alterar a configuração ou obter mais informações aqui.
en pt

Are you a health professional able to prescribe or dispense drugs?

Você é um profissional de saúde habilitado a prescrever ou dispensar medicamentos